HUMANA CONSCIÊNCIA
Eis que uma alma aflita
interrompe o sossego
de uma vila
pacata
no meio da mata
lá
crianças brincam
e bradam gritos de alegria
jovens enamorados
Cintilam sonhos de amor em serenatas
e a alma aflita e sombria
traz uma pesada
e complexa energia
ela avista a vila
e depois de uma vida ao relento
ao ver naquela surpresa
um prato farto
vê-se salivando
eis que é certo saciar
se sua fome e sede histórica
voa para a vila
como quem está prestes a se jogar em
um mágico banquete
no entanto esbarra
em redoma
e sentida...
vê-se impotente
diante de tal obstáculo
sem qualquer
precedente
e fica toda desmontada
ao ver que aquela paisagem
que de tãoo bela poderia
ser o fim de sua longa viagem
do nada se vê tonta
em pancada à parede
e esta
ao deixar-te pasmado
aparenta exigir-te bem mais
de que um simples achado
Eis que ao solo
um bilhete revela
uma voz estrindente e voraz
ao bradar
que a alma terá
uma missão de verdade
e esta lhe seria exigida
antes que a desejada vontade
fosse então saciada
e eis a alma se sente pasmada
logo ela
que passou por montanhas
e ate por entranhas dos mais vivos e vorazes
seres
que passou pelos mares
tormentas
por batalhas sangrentas
logo ela
que em milhares de anos
acumulava tantos e tantos
saberes
mas a voz se empodera:
- pare! a missão é concreta!
e senão aceitar dê meia volta e volte a vagar
pois aqui
sem ela
não haverá nenhum deleite
Chega!! Disse a alma, diga logo qual seria a minha missão
verás que o meu poder irá destruir
tal qual o mais potente canhão
que um dia já vislumbraste em vida
verás em segundos
essa tal missão ser varrida
e se arrependerá de impor-me
tão inusitado teste
diga logo!
voz estranha
e rouca!
qual missão me restringe!
E a voz em tom confortavel e sublime
exalta o tom e exclama:
"Terás que ensinar a esse povo
tu que estas morta e há tantos anos perambula
as chegadas e partidas
terás que ensinar ao fim
qual seria o sentido das vidas
Somente após isto
e quando
por todos
se fizer compreendida
livre estarás
para o desejado banquete
Venha!
Dei-me agora o aceite
para que inicie sua missão
De outro modo reaja com um
"Não"
e se ponha ao longe
nos caminhos
que a tí conhecidos
e assim
rejeitando a parada
se ponha em retorno
à sua van cavalgada
Chocada...
Calada...
e embebida de confusos sentimentos
a alma pois a pensar por gerações
e manteve-se distante
em dispersa reflexão
pois-se a questionar-se
por que não dizer não?
mas algo surpreendentemente novo a incomodava
ela olhava aquele povo
e olhava denovo
e algo supreendente
a atenção lhe chamava
a cada casa
que ela via
por gerações e por séculos
muita coisa mudava
mas algo a perturbava
pois os comportamentos
a moral
e o papel social
daquelas pessoas
de um modo estranho e curioso
se perpetuava
Abismada
a alma analisou por alguns séculos
e séculos
e viu que pessoas lindas e sensíveis
irresistivelmente se encantavam
com uma moral senil
que por todo sempre
as condicionava
Agora...
Potente e em feliz em descoberta
eis que agora desperta
a alma se sentiu espectro
e, magicamente, percebeu
que a missão recebida
estava viva
e que depois de tamanha espera
com uma convincente exatidão
entendeu
que o que agora sabia não era seu
E que estava a altura
da antes rejeitada
agora horrosa
missão
descobriu entusiasmada
que depois de tanto tempo
que em vão
perambulava
Foi nessa observação
desesperada
que surgiu
um inusitado desvio
que deu um novo sentido
a uma busca há tanto tempo buscada
e que a verdadeira charada
estava na vila
estava nessa gente
contida
que se destruia
ao reproduzir
em logica
uma ultrapassada e tardia
moral
vazia
esta
agora revelada
descoberta
de modo potente
as destruía
ao tempo que as limitava
Nesse instante
por se sentir preparada
a alma gritou
Oh voz robusta e astuta
que com inusitada missão
me desafiou
Aqui estou!
Para acordar a empreitada!
Sinto-me forte, pois matei a charada!
E minha fome
só será saciada
se eu puder dar a esse povo
esta chave a chave!
Contra vidas trancadas!
Nesse instante...
Um sorriso estrondoso
irrompeu o horizonte!
Deleita e conforta-se Alma!
Alcançaste a ciência!
Neste instante
tu não mais existe!
Pois tornastes
após tanta paciência
.
HUMANA CONSCIÊNCIA
"quando eu canto que se cuide, quem não for meu irmão, o meu canto, punhalada, não conhece o perdão..." Baioque - Chico Buarque 1972
terça-feira, 24 de outubro de 2017
segunda-feira, 9 de outubro de 2017
Reencontro
Vejo após distante
todos os que vivi em vida
todos os que olhava e sentia
quando a rebeldia contestante
me tomava a alma
lembro das experiencias
dos ardis
de tudo o que disperso
me tornou disperso
leve
e livre
a cada um que me atormenta
com lembranças de gozo e efêmera felicidade
dedico toda a minha idade
por todos e todas elas
por cada um por cada quem
em suas respectivas homenagens
é que desenho agora
em poesia
essa imagem
cuja lembrança
me dói mais
quero reviver com todos
mas sei contudo
que não mais serão
como eram
e se forem
quão delicioso
e quão importante será
essa oportunidade
agora
se possível
terei muito mais esmero
porque agora
como nunca dantes
sei
o quao importante
era navegar por esses mares
distantes
todos os que vivi em vida
todos os que olhava e sentia
quando a rebeldia contestante
me tomava a alma
lembro das experiencias
dos ardis
de tudo o que disperso
me tornou disperso
leve
e livre
a cada um que me atormenta
com lembranças de gozo e efêmera felicidade
dedico toda a minha idade
por todos e todas elas
por cada um por cada quem
em suas respectivas homenagens
é que desenho agora
em poesia
essa imagem
cuja lembrança
me dói mais
quero reviver com todos
mas sei contudo
que não mais serão
como eram
e se forem
quão delicioso
e quão importante será
essa oportunidade
agora
se possível
terei muito mais esmero
porque agora
como nunca dantes
sei
o quao importante
era navegar por esses mares
distantes
10/10/2017
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