quinta-feira, 5 de setembro de 2013

Indiferentes

seduzidos pela inercia
pelo conforto
somos iguais
enquanto acreditamos
diferente

as mortes diarias
são comuns
vestimos
com nosso marasmo
o corpo nú
de quem corta
todo dia
com navalhas
enquanto padece
a rebeldia

quem dera
quem dera
em vez de dor
e agonia
alegria
alegria

alegre seria o povo
se um dia entendesse o quão importante
se livrar do estorvo
padrão-canção
morbido
no eterno mata-morre
da alienação

que um dia neguemos sinceros
o padrão de igualdade inútil e acéfalo
que tanto proclamam
belos
isso é tao sutil
tão singelo
que à distância
nos fingimos
contentes
em verdade
oremos
somos indiferentes

domingo, 10 de março de 2013

coiote

pensavamos ser todo
que bobagem
somos parte
ela falava em livre
recitava em arte

desconfiava que não eramos todo
estou certo de que somos parte

onde estaremos depois
o que queremos?
o que buscamos?
eis que de repente
por mim
nos encontramos

qual cordão que interage em cordel
qual papel que descreve a paisagem
qual imagem
movimento

qual cabelos presos
concebidos soltos
qual pedaço de vida
descoberto
absorto

eis que o mote
coincidente
revivo
encontro de vivos

uma bela homenagem
Coiote!

sábado, 9 de março de 2013

Por vir

Pequenos...
nos somos pequenos perto da imensidão de sonhos
perto da rigidez
de toda
labuta
perto da escrita
da escuta

sim!
nós somos pequenos
e diante do desafio de viver
com sentido
de buscar o que não temos
de largar o que cremos

E se é mesmo verdade
somos nós que podemos
carregamos a história
e o que sabemos
já compõe
a memória

E se sofremos
se pasmados
se se quer entendemos
é porque é imensa a vida
e o desespero
as vezes
é a única saída
que temos
ao saber que sozinhos
pequenos

a nossa frente
a saudade
e tão perto
a imagem
distorcida e serena
se mostrando
senil
impotente
que pensamos:
ardentes
vale a pena!

E se
o que nos resta é pouco
eis que roucos
ao gritar por centenas

Estes foram
quando ainda não eram
 Nos seremos
quando ainda não somos
se vivemos
é por que precisamos
se lutamos
é porque conhecemos

bem a frente
isto é certo
há um novo presente
esperançoso
a esperar
 toda gente!

sexta-feira, 1 de março de 2013

Prescrição poética

Certo que vivo
eis que ainda
penso
percebo o dissenso
entre o gosto e disgosto
entre o dito e o falado
entre o visto e tocado


é como se faltasse um punhado
de poesia
nesse caldeirão de magia
que nos liga
a existência

os olhos só veem esforço
paciência
persistência

esfregas
esfregas
e o que tens?
insistência

e quando o que vemos é posto em som
as palavras não medem
e o azul é marrom
a tristeza
é remédio
e o tédio
alimento


tentemos de novo
pois tá fraco
e é preciso sustento
com menos sal e um pouco mais
de memoria e poesia

humm...
o que temos?
 - nostalgia

melhorou
siga em frente
um pouco mais
de bom senso
teoria
e coragem
ainda não prove
chame outros
mais gente

Feche os olhos e pode abusar da porção
quando abrir
se prepare
vai ser dura
a imagem!

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

Caminhada

A cada passo
é novo
o compasso
circunstância
de um novo
improviso
descoberta
do possível

Desvendado
o horizonte
que outrora
solene
aparente
distante

Cansamos
e diante do morbido
esperança disforme
ameaça
advém
da lembrança
Pois sabemos
que mesmo não
querendo
aprendemos

E entender
quão difere
não confere
não importa quem diga
não dá liga
não adere

O projeto acabado
padeceu sepultado
como diz o ditado:
Não se deixe
enganado

Pois se a força
disfarça
apequena
e embriaga
Eis que esconde a desgraça
de uma praça
ocultada
que já não conhecemos

O que sou
é o que sei que não somos
Pela frente
quem sabe
seremos

e se dizes
escuro!
o que em preces pretende
Obscuro é o presente
Tão doente e infantil

O solado da mente
tão sutil
quão demente
se mantém
restejando
em desejo regresso

Dele o passo
desgasta
em turbor de pecado
destruído e cansado
mas
anestesiado

entufado
em desgosto
mas febril
e robusto
se alimenta do susto
de quem vê-lo
na pista

E se julgam impossível
acreditem
é visível
ainda há
quem insista