quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Chuva de poesia


Juntos faziam
Poesia
Cabeças vadias
Se enchendo de sonho
Olhares risonhos atentos
Viajam qual plumas ao vento

E lá fora
As gotas inflamam
A atmosfera sonora

No peito
Lá dentro
Existe um poema que chora

Escutem
Lá vem ela!
Trouxeram
mais uma poesia molhada
de dentro
Pra fora!

Coletivo- Sarau do CES


(poesia coletiva - experiencia em sarau dos estudantes de santos na 'casa de família')

Com seu machado, frio e metalizado
Surge um grito:
- A classe ao centro!
Façamos aqui a revolução!

E mesmo que cause arrepios
Não quero saber
Sinto falta do que não vivi

Ela olha pro lado e pergunta
E se?

É tudo tão amplo
Que as vezes
Encanto
Cego
Surdo
Ou tonto
Que forte esse pranto?
Que me deixa vivo
Coletivo

Tenho por hábito sair à toa
Pensando versos enquanto ando
Feito pássaro que enquanto voa
Sente o prazer de estar voando

E assim se segue
Até a próxima vez
Quando tudo recomeça

Poema coletivo
Folha acima da caneta
Ca
Ne
Ta

17 de outubro de 2009

Erramos




Quando olhamos e não vimos
Tantas vidas distintas
Sentimentos, emoções, angustias
Tristesas, tédios, alegrias... lamentos
Não vimos a ousadia
A coragem sufocada
Não vimos a malandragem
De tanda gente
Que por não enchegar o que esta fundo
Esconde-se atraz da alegria
Da paisagem

O mais grave
Não vimos a esperança
De tanta gente que a tempos
Se cansa
Espera sair dessa dança

Ah! Mais se um dia
Juntos
Conseguirmos acertar
Tão deliciosamente justo e sincero
Vai ser o que está dentro de cada olhar

Vai dar pra costurar o mundo
Pra compartilhar cada sonho
Profundo
Teremos mais amizades
Vizinhos
Sapatos
Vai dar até pra ser fraco

Nesse dia
Vou estar com a poesia
Pra dizer que erramos
Mas como nós precisamos
Acertar um dia!

Eu falo


É claro que quero falar
Se não como vou confessar o que tenho
De onde venho
O que sou

Pra quem vou falar da minha dor
De tudo tudo que quero
Daquilo que mais espero
O que eu mais venero

Sim, eu quero falar muito
Pra conversar com tudo aquilo que ouvi

E não venha com essa história de dizer que gosto de falar
Não gosto
Preciso
E mesmo que tenha que falar com ouvidos
Eu falo!
Porque se não falo
Eu sinto que foi
O que poderia ter sido

E ao pensar que eu perdi uma chance
Que medo,
Que dor
Que zumbido

Vou voltar pro
Abrigo
E viver que não vivo
Só sou conduzido

Onde estão?

(à vanguarda brasileira)
Onde é que está?
Onde é que estamos?
O que é que somos?

Por que é que somos?
O que queremos?
O que é que temos?

O que precisamos?
Pra onde vamos?
O que devemos?
Para o que cremos?
E se não temos

Se concedemos
Se esquecemos
Do que herdamos!
Que venham os sonhos(donos):
- O que fizeram com o que te demos!

Derramar indignação

Todos indignados!

Uma vez no dia
Várias vezes no mês
Muitas vezes no ano

A indignação passa!
Voltemos à vida!

Mas teima em voltar:
Queima a esperança
Enche de vingança
Nos põe a pensar

Um dia
Inesperavelmente reclama
Cuspindo fogo
Inundando os mares com a chama

Nessa hora
Não tem couro,
pelego
Prestigio
Ou fama

Que evite a fúria
Ou contenha a derrama

Amanhã pode ser diferente!

Amanhã pode ser diferente

Tente

Não invente

É só dividir com os outros

Aquilo que sente

Encontrar a indignação

E cravá-la com os dentes

De repente

Convence

Que é urgente

Mais gente!

Atores e atrizes

Inesgotável mina

De trabalhadores

Infelizes

E vocês

Cansados de outrora

Agora

O que dizes?

É Greve!

É greve

É grave

É greve

Há tanto por que lutar

Há tanto que exigir

Há tanto que conquistar

Como será o amanhã

Com que condições trabalhar

Dá até pra fazer sem cansar

Se com a greve

Agente conseguir arrancar

Dá até pra pensar

Em ser menos triste

Em viver tanta coisa que existe

Não vivemos

Porque estamos mergulhados no feno

Então que seja logo

Que seja breve

O que cada um deles

Nos deve

Arranquemos com a greve!

Quando o impossível se torna natural

( Após uma passeata durante a greve 2009 em que o sindicato decidiu não ocupar as ruas e ficar na calçada da paulista)


Eles dizem que o sonho se tornou natural
Esperam a briga e quando ela vem conclamam:
CALMA CALMA! Isso é natural...

Nós no entanto teimamos:
Amai o impossível
Buscai com todas as forças da realidade
O que ainda é invisível

Pois desistir
Isso sim é impossível
Já que não pode ser crível
Que o abismo infinito entre o trabalho e a felicidade
Seja tão natural

E se for natural, que seja!
Rompamos então com a natureza e seu abismo tão cruel e surreal
Rompamos! Pois se não nada fará mais sentido
Nem a luta, a guerra ou o prurido
Tudo perdido

Num mundo que é necessário
E embora vivo no sangue, memória e história
Hoje não passa da glória

Glória deles!
Que pra nós
Já não faz mais sentido !