quinta-feira, 7 de junho de 2012

Um certo retorno

É chegada
partida
também recomeço
do fim
e do início
do tarde
que é cedo
semente
plantada
se põe re-movente

Encanto coragem
reencontro constante
refúgio premido
escondido
do medo
uns dizem que é tarde
pra outros é cedo
Mas vivo e crescido
se antes semente
agora arvoredo

Bagagem
contida
o passado é presente
memória
que é plena
se antes serena
agora liberta

Qual vida que paira
Em sede
diverge
o que erige
corrige
Entende a cilada
decifra
a esfinge
que a espreita
contesta
com sorte ela durma
enquanto
desperta

E o tempo
tão leve
qual sonhos
em vento
desvenda
o provento
dos passos
sutis
secretos ardis
em vão cavalgada

Por vezes
deseja
prospere o vagar!
se ponha em espera
sentido, aliene!
que o posto
já era

Mas não
pois à frente
com a força evidente
daquela semente
então
é o que ordena
avente!
organiza!

dos versos
prementes
urdidos
nos passos
e em vão escondidos

Agora do chão
forjados na vida
reclamam atenção
se tornam
confessos

Só resta a razão
do tanto disperso
Por ela
o Senão
que cônscio
te peço

Que agora
e quem dera
da triste
quimera
que pasmem!
impera
se rompa
o recesso

Se em mente a criança
constrói a lembrança
de braços e em dança
e por felicidade

Não falem da idade!
Pois vinga a esperança!

Que as mãos calejadas
no mesmo lugar
e em breve socorro
E em urro
agitadas
Tão firme e encantadas
desenhem de novo


Pois novo
é o contorno
partida
e chegada
A estoria é contada
de um certo
retorno

sábado, 2 de junho de 2012

Momento futuro

Hão de vir os momentos
aqueles pequenos espaços
de tempo
que registram os reflexos
do que vemos
quando ainda não vimos

Os momentos criados
do que ainda
não temos
mas sentimos
pois sabemos
que ainda
não somos

Nesse instante
em que a insegurança é certeza
e que nada é mais cômodo
natural
ou conforto
O momento presente
e indigesto
é protesto
E o futuro é delícia
malícia
e cilada
surgente
e emergente
contra
toda a corrente

Pois sabemos
Que a historia
persiste
insiste
nunca cansa
ou desiste

Para que projetemos
busquemos
sem medo
ou pudor
todo ardor
dessa vida retida

tudo agora
em um momento
e ao mesmo tempo

E aos que dizem que estamos perdidos
no escuro
ou jazidos

Apenas neguemos
que estamos vencidos
Pois se pra eles seremos o hoje
Para nós
seremos
sempre
o momento futuro

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Máscaras

Máscaras de caráter
perambulam o dia
anoitece
algumas caem
como frutas
maduras ou
mordidas

Deliciosas e
desnudadas faces
interagem
livres e descomprometidas
sombras se reencontram
na paisagem

Mas o sol renasce
e com ele
as máscaras voltam as
faces

Viva as personagens!
reconstruídas
nas entranhas
do que
parecia ser
imagem...

Metamorfose

Eu vejo o envólculo
sangrando
impotente
sinto a cada passo
que não dou
uma dor
latente
tão presente
que rio
rio persuasivamente
do meu fracasso
mas não consigo
converse-me

Então me rasgo
até que a última
gota de sangue
seja recriada

Até que a piada
da vida repetida
não faça mais sentido
e que outra
consciência
surja

Mas não vem:
vem essa dor
e tudo que o amor
pela vida é capaz de criar

Sem conseguir
se auto-destruir
a criatura
muda
se reconstrói
se transfigura
Morfada
Morfia
Morfente
Metamorfosemente
Viva!

Buscar o Extra Ordinário

Impávido destino
que nos cerca
propõe a quebra
subversão de sentidos
versos
incertos
do que é
e será

Como dá sentido
se o orgulho do
tédio
nos mantém
feridos
imóveis
em um jogo
de ideais

Falseiam
desejos
como muralhas
invisíveis
que controlam
os sons
saqueiam
a expressão
mantendo
apenas
os restos

restos
de que se alimenta
uma sobrevida ordinária
e mórbida
do cotidiano
gelado e insensível

Podemos!
queremos?
contamos
precisamos
buscar o
EXTRAORDINÁRIO

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Um (1) dia



Inspirado na  música “Basta um Dia”
Chico Buarque

Entre o feito e o possível
Quanto tempo é necessário
Para superar os limites?

Quando aceitamos convites
Releases da vida
Placas
Para caminhos
Diversos

Sozinho
Confesso
Bem mais os difíceis
Mesmo curtos
Imprevisíveis

A caminho do mar
O vento forte da serra
dos lagos
Aponta a infinitude livre
O Declive-paisagem
do mergulho
em imagem
lembrança
relento

As vezes
Resta só o lamento
Que a lupa poli-angulada
Que chama
Com o calor da história
Preza
Ferida
E triste
pois não há nada
ou ninguém
Para
Vê-la

Em apenas um dia
Visita a poesia
Deixa o choro
O riso
O escárnio
Regozijo
Inerte
Daquele Flerte

Deixe o amor e o ódio
Todo o tédio
Deste mundo ignóbil
Soltem os bêbados
E os sóbrios
Em nuvens
De aventura

Basta um dia
Para que escancare
Toda minha agonia
Só um dia
Livre
Infinito
Para que não lamente
Nunca
Pelo feito
E para que reste pouco
Ou quase nada
Que me arrependa de não ter
Visto
Desfeito

Só um dia
Para que mudemos um curso
Da dor
Para o ardor
Da mais infame
Fantasia

Pois a vida
É o eterno reclame
E quem sabe a ouçamos
Um dia...

Quarta-feira,  15 de novembro de 2011-12-01

terça-feira, 15 de novembro de 2011

Cinzas

Mosaico de impressões
partidas
em partes amontoadas
conformam lenta e consistentemente
a aparência

Esta
em sua
conformidade passiva
apenas ecoa
a forma
morna
resultante
do incontável calor
que dantes tornava
a essência
viva

Agora o antes
apenas pode ser visto
como lembrança
como leves cacos
de intensa esperança
que se recuperam
ao vento

E o tempo
em escalada
até que o movimento
cesse
cesse por hora
até que a vida
novamente
arremesse
as cinzas
e reinvente a revolta




segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Empecilho

Que desgraça!
além do patrão
que já não sai de graça
ainda tem que
brigar
com o que é nosso
-Que farsa!

Como a ferramenta
ganha vida
paralela
sequestrando uns dos nossos
Pra mantê-la
em sequela
ativada

Agora deu
vai saber
que perdeu
já não tem mais
força

Não me ouça
todos sabem
não tem poça
que lave
o que escondes na bolsa

Se essa laica labuta
e o que dela desfruta
é tudo que temos
como quer que fiquemos
ao saber que perdemos
o que nós projetamos

Esse fardo
é pesado
tô deveras
cansado
pra aguentar esse
peso
eu vou junto
e coeso
quem precisa tem pressa

E aê pessoal?
Vamo nessa!
pra trocar essa peça
não há nada que impeça!

sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Pra acabar com a desgraça!

" aos trabalhadores dos Correios e Bancos unidos em greve"

Decidiram parar
Por salários, emprego e direitos
cravados em faixas
e adesivos no peito

Foi o geito

E não é que cresceu?
Mas do que duvidavas?
já são poucas as cartas
encomendas paradas
pagamentos suspensos
preocupados
atentos

E até quando em cena
a imprensa-falácia
relato-desgraça
nem de longe disfarsa
não deforma o que penso

é que muitos
nestas ruas e praças
nós cantamos
sedentos

até que ouvimos
que silêncio de antes
como dantes
hoje está barulhento

nosso tempo
tempestade
não passa

sopra bem lá no fundo
o compromisso
é profundo
não tem trégua
lamento
Vai parar todo mundo

Pra acabar com a desgraça

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Retomada

Quando enfim retornei
e lhe disse:
- que tolice!
- acreditei que a "mesmice"
existisse

Tantos são os que escutam
que esse som
da labuta
já supera
a imensa platéia
que o entoa

eis agora o que ouves
quão pancadas do mar
em garoa

quão zumbido
esquecido
dentre os tantos ouvidos
calados
na proa

São presentes

Tão potentes
que os algozes
regurgitam
os sentidos

Acham todo esse tempo
perdido
e os depõem
pra que vejam
depois
realmente o que sois

Do Silêncio
a verdade
velada
Da saudade
a vontade
escondida

Enrijece
tal prostrada
ferida
em constante
Entoada

Eis que certa
ofegante
é desperta

Retomada

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

O sopro


Continuamos...
Somos a luta
Viva
No presente

Tudo que
Fizemos
Fazemos
Faremos
Fará diferença

O futuro
Pertence
Ao que somos
O que seremos?

O que restará de nós
Na memória
Apenas comporá
Fluente e constantemente

O sopro da história

Mulher, homem, história



Carregados de memória
Estão os trabalhos e pensamentos
Vivos
Do nosso corpo

Embebidos de experiências
Passadas
De modo extraordinário
Formamos a complexidade
Mágica e intensa
do presente

E este envolvido em contradições
Sórdidas e emancipadoras
Carrega consigo
imprevisível e profundamente
a aventura do futuro

Assim
Não somos hoje
Amanhã
Ou nossos anos de vida
Somos o sempre
E sempre
O potencial do nunca
Derrotados, perdidos, alienados
Ou em glória

Apenas continuamos a vida
De mulheres e homens
A construir a história

História de tudo que foi morto
Mas permanece vivo
Nos registros da nossa memória

O mundo


Descobri que
O que mexo
Também mexe comigo

Tão intensamente
Me envolve
Que move
Devolve

Mas de forma diferente
Agora já da pra saber
Do sentido
O que sentes

E agora que sentes
Envolva o mundo
Cada sonho escondido
Profundo

Vejamos o que existe no olhar
Do mais imundo
Vagabundo

Vislumbro
O dia em que viveremos
Pra mover
O mundo

Chamado


O sussuro da brisa
Parecia dizer que
Há vida

Natureza em que há estrelas
Sê-las
Versos a cantar
Que quando livres
Podem em sua forma se encontrar

É como se agora
Tudo que existe
La fora
Fosse pouco

Como se o grito rouco
Dos nossos sonhos
Risonho e irônico
Gargalhasse alto
De alegria
Agonia

Abaixo a cegueira e a falta de ousadia
Chamemos de volta
Àquela nossa rebeldia

Pois não há nada
na forma da forma vil e inerte
dos objetos vazios
sem a vida vivida

Sujeito estranho


Sim, sou estranho
O olhar é diferente
é feito estar doente
é não conseguir sorrir
contente
perplexo
iludido
ou demente
 
Sim, sou diferente
e sinto cada dor
ardente
quando a indignação
e a injustiça
me invade o pensar
de repente
 
Sim!
Como quando era criança
ainda tremo
de angústia
quando vejo a fome e a miséria
refletida na face
não só do corpo
mas da idéia
diante de uma
platéia
de astúcia
 
Sim esse sujeito estranho
que ainda fala
pensa
e sonha
as vezes também luta
 
E mesmo no pensamento
enquanto labuta
o sujeito estranho
grita
grita desesperadamente  
e em silêncio
 
Um silêncio que só dura
enquanto ninguém escuta.

Porque não mediamos


Se somos o que somos
E contemos o grito
De que lado nós estamos

Por que esquecemos
O tempo inteiro
Do porquê nós lutamos

Se é que é verdade que querem
O que nós precisamos
Não digam pra onde vamos!

Atenção!
Ouçam todos!
- Nunca esqueçamos
Que só é mesmo nosso
Porquê não mediamos!

Não faz sentido


Depois de tantos gemidos
Dos gritos ouvidos
E daqueles que ainda soam
Surdos...

Depois de tudo o quanto foi vivido
Como pode fazer sentido
Uma vida sem sentido

- SENTIDO!

- Que todos vivam uma vida sem sentido!
O que importa é o que vem a frente
No presente

Quanto ao destino que um dia sonhamos
Quanto ao desejo que todo dia nós temos
É melhor que o enterremos!
Pois eles não fazem nenhum sentido

Em uma vida sem sentido

Seria

Não fosse
a falta
Certeza solida
na superfície
alta
De que alguma coisa nos falta

Intensamente nos falta!
Nos falta a vida
De um abraço incontido
a insanidade
lúcida
De um beijo
perdido

A verdade viva
construída e engenhosamente
sentida
A realidade forte
e intensa
como em qualquer
nostalgia
profundamente curtida

Se fosse
possível viver
A liberdade difinitivamente
seria
a vida

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Todas as poesias


São de todos e todas
as poesias
Não tem dono todos os anos
Que geraram sonhos cobertos de sono
Sempre que não puderam se realizar

Estes sentimentos, saudades, protestos
Homenagens e ensinamentos
Não podiam ser de ninguém
Que não de todos e todas
Que leram
Escreveram
Viveram
Os seus tormentos
E todos esses ventos
Os dias cinzentos
Aqueles sangretos
Todos que ouvimos ou vimos
Virão ou virarão

Sempre e nunca
Aquela nova-velha
Nossa poesia

Amanhã pode ser diferente


Amanhã pode ser diferente
Tente
Não invente

É só dividir com os outros
Aquilo que sente
Encontrar a indignação
E cravá-la com os dentes

De repente
Convence
Que é urgente
Mais gente!

Atores e atrizes
Inesgotável mina
De trabalhadores
Infelizes

E vocês
Cansados de outrora
Agora
O que dizes?